Como fazer um CV: guia completo passo a passo
The CVera Team · · 8 min de leitura
Um CV tem uma única função: convencer quem recruta de que vale a pena chamá-lo para uma entrevista. Não é uma biografia nem uma lista de tudo o que já fez. Neste guia encontra o processo completo, do rascunho ao PDF final, com a ordem das secções que os empregadores em Portugal esperam, o que deve e não deve incluir nos dados pessoais, como transformar tarefas em resultados e como adaptar o mesmo CV a anúncios diferentes sem começar do zero.
Antes de escrever: reúna a informação
A maior parte dos CV fracos não nasce de má escrita, mas de falta de matéria-prima. Antes de abrir qualquer modelo, junte numa folha ou num documento simples:
- Empregos e estágios: nome da empresa, cidade, cargo exato, mês e ano de início e de fim.
- Números: volume de clientes atendidos, orçamentos geridos, equipas coordenadas, prazos cumpridos, reduções de custos ou de erros. Procure em avaliações de desempenho, e-mails antigos e relatórios.
- Formação: cursos, instituições, datas de conclusão, média final se for boa, cursos profissionais e formações certificadas.
- Certificações e licenças: carta de condução, CAP, cédulas de ordens profissionais, certificações de software.
- Línguas: com uma autoavaliação honesta pelos níveis europeus (A1 a C2).
Depois, leia com atenção dois ou três anúncios para o tipo de lugar que procura e sublinhe as competências e requisitos que se repetem. Essa lista é o seu guia para decidir o que destacar.
A estrutura de um CV que funciona
Em Portugal, o formato mais usado e mais fácil de ler é o cronológico inverso: começa pelo emprego mais recente e recua no tempo. A ordem habitual das secções é esta:
- Nome e contactos
- Perfil profissional (três a cinco linhas)
- Experiência profissional
- Formação académica
- Competências técnicas e transversais
- Línguas
- Opcionais: certificações, voluntariado, projetos, interesses relevantes
Se está a terminar o curso ou tem pouca experiência, a formação pode subir para antes da experiência. Para comparar o formato cronológico com o funcional e o misto, e decidir entre uma e duas páginas, consulte o guia sobre o formato de CV.
Dados pessoais: o essencial e o que deixar de fora
O cabeçalho deve permitir que o contactem em segundos. Inclua:
- Nome completo como o usa profissionalmente (não precisa de todos os apelidos).
- Cargo ou área, por baixo do nome, por exemplo Técnica de Contabilidade.
- Telemóvel com indicativo +351 se se candidatar fora do país.
- E-mail profissional, de preferência nome.apelido.
- Localidade (cidade e distrito chegam; a morada completa é desnecessária).
- Perfil de LinkedIn, se estiver atualizado e coerente com o CV.
Pode deixar de fora o número do Cartão de Cidadão, o NIF, o número da Segurança Social, o estado civil, a nacionalidade (exceto se a autorização de trabalho for relevante) e a filiação. A data de nascimento é opcional e cada vez menos comum. Estes dados só são pedidos mais tarde, no momento da contratação. Sobre a fotografia, que continua frequente em Portugal mas não é obrigatória, veja o guia sobre fotografia no CV.
O perfil profissional: o seu argumento em cinco linhas
Logo abaixo do cabeçalho, um parágrafo curto diz quem é, o que faz bem e o que procura. É muitas vezes a única parte lida com atenção numa primeira triagem. Uma fórmula simples: função + anos de experiência + área ou setor + duas competências fortes + um resultado + objetivo.
Rececionista com seis anos em hotéis de quatro estrelas no Algarve, fluente em inglês e francês, habituada a check-in de grupos e a gestão de reclamações no PMS Opera. Reduzi o tempo médio de check-in de grupos para metade com pré-registo por e-mail. Procuro um lugar de chefe de receção em Lisboa.
Evite frases que qualquer pessoa poderia escrever, como pessoa dinâmica, proativa e com espírito de equipa. No guia sobre o perfil profissional no CV encontra fórmulas e exemplos para várias situações.
Experiência profissional: de tarefas a resultados
Para cada emprego indique cargo, empresa, localidade e datas (mês e ano). Depois, três a seis tópicos curtos, começados por um verbo no passado ou no presente, conforme o emprego já tenha terminado ou não. O erro mais comum é copiar a descrição de funções. Quem recruta já sabe o que faz um empregado de armazém ou um contabilista; quer saber como o fez e com que resultado.
| Antes | Depois |
|---|---|
| Responsável pelo atendimento ao cliente. | Atendi em média 60 chamadas por dia na linha de apoio de uma operadora de telecomunicações, com 92% de satisfação nos inquéritos pós-chamada. |
| Gestão de stocks. | Reorganizei a localização de 1 200 referências no armazém por rotação, reduzindo o tempo médio de preparação de encomendas de 14 para 9 minutos. |
| Elaboração de relatórios. | Criei em Excel um relatório mensal de vendas por loja que passou a ser usado pela direção comercial nas reuniões de resultados. |
Nem todos os resultados são números. Também contam prémios internos, promoções, responsabilidades que lhe foram confiadas, projetos concluídos dentro do prazo e elogios formais de clientes. Dedique mais espaço aos empregos recentes e relevantes; os de há mais de dez anos podem ficar numa linha cada.
Formação académica
Indique o grau (licenciatura, mestrado, curso profissional, 12.º ano), a área, a instituição e o ano de conclusão. Para quem terminou há pouco tempo, a média final em valores é um argumento se for boa, por exemplo média final de 16 valores. Se ainda está a estudar, escreva conclusão prevista em julho de 2027.
Com vários anos de experiência, a formação ocupa menos espaço: grau, área, instituição e ano chegam. O ensino secundário só deve aparecer se for o seu nível mais alto ou se tiver feito um curso profissional relevante para o lugar. Formações certificadas, por exemplo pelo IEFP ou por uma ordem profissional, podem ir numa secção própria.
Competências e línguas
Separe as competências técnicas (software, máquinas, normas, técnicas da profissão) das competências transversais (comunicação, organização, liderança). As primeiras podem ir em lista; as segundas convencem mais quando aparecem demonstradas nos tópicos da experiência. Para as línguas, use os níveis do Quadro Europeu Comum de Referência, por exemplo Inglês: C1, em vez de bom ou fluente. O guia de competências para o CV explica como escolher e provar cada uma.
Adaptar o CV a cada anúncio
Enviar o mesmo CV para todos os anúncios é a forma mais rápida de não ser chamado. A adaptação não exige reescrever tudo; normalmente chega fazer cinco ajustes:
- Mude o cargo por baixo do nome para o título do anúncio, se corresponder à sua experiência.
- Reescreva a última frase do perfil para falar do lugar e do setor em causa.
- Reordene os tópicos de cada emprego para que os mais relevantes fiquem em primeiro lugar.
- Use as mesmas palavras do anúncio quando descrevem algo que realmente faz (por exemplo SAP e não apenas ERP).
- Retire o que não interessa para aquele lugar, para ganhar espaço.
Muitas empresas e plataformas de emprego usam software de triagem que procura essas palavras. Se quer perceber como funciona, leia o guia sobre o CV otimizado para ATS.
Rever, guardar em PDF e enviar
Uma gralha num CV passa uma má imagem justamente na qualidade que quase todos os anúncios pedem: atenção ao detalhe. Antes de enviar:
- Leia o CV em voz alta e depois de trás para a frente, frase a frase.
- Verifique se todas as datas são coerentes e se não há meses em falta sem explicação.
- Confirme que o telemóvel e o e-mail estão certos, ligando e escrevendo para si próprio.
- Peça a alguém de confiança que o leia em dois minutos e lhe diga o que retém.
- Garanta a coerência entre o CV e o seu perfil de LinkedIn.
Guarde sempre em PDF, salvo se o anúncio pedir outro formato, e dê ao ficheiro um nome claro, como CV_Ana_Ferreira_Rececionista.pdf. Antes de submeter numa plataforma, pode verificar gratuitamente se o texto do PDF é lido corretamente com o verificador de CV para ATS. Junte, sempre que possível, uma carta curta; o guia sobre como escrever uma carta de apresentação mostra a estrutura.
Comece por um modelo e um exemplo
Partir de uma página em branco é a parte mais difícil. Escolha um dos modelos de CV com estrutura clara, preencha primeiro as secções com os factos que reuniu e só depois afine a escrita. Para ver como fica um CV completo na sua área, com perfis e frases de conquistas já escritos, consulte os exemplos de CV por profissão, como o de assistente administrativo ou o de programador. Se está a começar, o guia de CV sem experiência mostra o que pôr no lugar da experiência profissional.
Resumo: lista de verificação final
- Uma ou duas páginas, formato cronológico inverso, tipo de letra legível.
- Contactos completos e atualizados, sem dados pessoais desnecessários.
- Perfil de três a cinco linhas adaptado ao anúncio.
- Experiência descrita com resultados concretos, não só tarefas.
- Formação, competências e línguas com níveis claros.
- Sem gralhas, datas coerentes, ficheiro em PDF com nome profissional.
Um CV bem feito não se escreve de uma só vez. Faça uma versão base completa e cuidada e, a partir dela, uma versão ajustada para cada candidatura. Com o tempo, adaptar passa a demorar poucos minutos, e a diferença nas respostas costuma notar-se.