Competências para o CV: quais pôr e como prová-las

The CVera Team · · 8 min de leitura

A secção de competências é das mais fáceis de escrever e das mais fáceis de desperdiçar. Uma lista de dez palavras genéricas, iguais às de toda a gente, não diz nada a quem recruta. Uma seleção curta de competências relevantes, confirmadas pelo que escreveu na experiência, faz a diferença. Neste guia encontra a diferença entre competências técnicas e transversais, como escolher as certas para cada candidatura, como as provar e como indicar corretamente o nível de línguas.

Competências técnicas e competências transversais

As competências técnicas (em inglês, hard skills) são conhecimentos e capacidades específicos de uma profissão, que se aprendem e se podem verificar: um software, uma técnica, uma norma, uma máquina, uma língua. As competências transversais (soft skills) dizem respeito à forma como trabalha: comunicar, organizar, resolver problemas, liderar, lidar com pressão.

TécnicasTransversais
Excel avançado (tabelas dinâmicas, PROCV)Organização e gestão do tempo
Primavera, PHC, SAPComunicação com clientes
AutoCAD, RevitTrabalho em equipa
Normas HACCPResolução de problemas
Condução de empilhadorLiderança de equipas
Python, SQL, Power BICapacidade de negociação

Os dois tipos são importantes, mas funcionam de forma diferente no CV. As técnicas podem ir numa lista; as transversais só convencem quando aparecem demonstradas.

Como escolher as competências certas

Não existe uma lista universal. As competências certas são as que o anúncio pede e que realmente tem. Um método simples:

  1. Copie para um documento os requisitos de dois ou três anúncios para o lugar que procura.
  2. Sublinhe as competências que se repetem.
  3. Marque as que domina e consegue provar com um exemplo.
  4. Coloque essas em primeiro lugar no CV, com as mesmas palavras do anúncio.
  5. Acrescente duas ou três que o distinguem, mesmo que o anúncio não as refira.

Seis a doze competências técnicas e três ou quatro transversais chegam. Uma lista de trinta itens dilui as importantes e sugere que não sabe escolher.

Exemplos por área

  • Administrativo: faturação, conciliação bancária, Primavera, Excel, gestão documental, atendimento telefónico. Ver o exemplo de assistente administrativo.
  • Restauração: serviço de mesa e de bar, vinhos, HACCP, sistemas POS, línguas.
  • Logística: picking por radiofrequência, empilhador, gestão de inventário, SAP WM.
  • Saúde: técnicas específicas da área, sistemas clínicos (SClínico), suporte de vida certificado.
  • Tecnologia: linguagens, frameworks, bases de dados, cloud, ferramentas de controlo de versões. Ver o exemplo de técnico de suporte informático.
  • Comercial: prospeção, CRM (Salesforce, HubSpot), negociação, gestão de carteira de clientes.

Afirmar não é provar

Qualquer pessoa pode escrever excelente capacidade de comunicação. Quem recruta sabe disso e salta essas palavras. O que convence é encontrar a competência em ação nos tópicos da experiência:

AfirmaçãoProva
Boa capacidade de liderançaCoordenei uma equipa de 5 operadores no turno da noite e reduzi as faltas não justificadas para metade em seis meses.
Orientação para o clienteResolvi em média 25 reclamações por semana na loja, mantendo uma avaliação de 4,7 em 5 nas avaliações online.
Capacidade de organizaçãoOrganizei a logística de 12 eventos corporativos por ano, com orçamentos até 40 000 €.
Resolução de problemasIdentifiquei a origem de uma falha recorrente na linha de embalamento, eliminando duas paragens por semana.

Na secção de competências pode então manter uma lista curta de transversais, porque o leitor vai encontrar a confirmação logo acima.

Como indicar o nível

Para software e ferramentas, use termos claros (básico, intermédio, avançado) ou, melhor ainda, diga o que sabe fazer: Excel: tabelas dinâmicas, PROCV, macros simples. Evite barras, estrelas ou percentagens. Não têm significado objetivo (o que é saber Excel a 80%?) e não são lidas pelos sistemas de triagem; o guia sobre o CV otimizado para ATS explica porquê.

Línguas: use os níveis europeus

Para as línguas, o padrão europeu é o Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas (QECR), com seis níveis. É o mesmo usado no Europass e é compreendido por recrutadores em toda a Europa.

NívelDescriçãoNa prática
A1 – A2Utilizador elementarFrases simples, situações do dia a dia
B1Utilizador independenteConversa sobre temas conhecidos, e-mails simples
B2Utilizador independenteReuniões e atendimento com fluidez, textos profissionais
C1Utilizador proficienteNegociação, apresentações, documentos complexos
C2Utilizador proficienteDomínio próximo de um falante nativo

Escreva, por exemplo: Português: língua materna · Inglês: C1 · Espanhol: B2 · Francês: A2. Se tiver um certificado (Cambridge, DELF, DELE, Goethe), mencione-o. Seja honesto: se escrever C1 em inglês, é provável que parte da entrevista decorra em inglês.

Outras competências que vale a pena referir

  • Carta de condução: categoria e, se relevante, viatura própria.
  • Certificações profissionais: CAP de motorista, certificado de técnico de segurança, inscrição em ordem profissional, certificações de fornecedores de software.
  • Formação em segurança: primeiros socorros, trabalhos em altura, segurança alimentar.
  • Competências digitais: para funções não técnicas, o à-vontade com ferramentas de colaboração, e-mail e folhas de cálculo já é um argumento.

Exemplo: a mesma pessoa, dois anúncios

Imagine uma candidata com experiência em receção de hotel e em apoio administrativo. Para dois anúncios diferentes, a secção de competências muda de ordem e de conteúdo:

Anúncio de rececionista de hotelAnúncio de assistente administrativa
Opera PMS e Booking.com ExtranetPrimavera (faturação e clientes)
Check-in e check-out de gruposExcel: tabelas dinâmicas, PROCV
Gestão de reclamaçõesGestão documental e arquivo digital
Inglês C1, francês B2Atendimento telefónico e agenda da direção
Faturação e fecho de caixaInglês C1

Nada foi inventado: as duas listas são verdadeiras. Mudou apenas o que aparece primeiro e o vocabulário, alinhado com cada anúncio. É este o tipo de ajuste que leva poucos minutos e aumenta a probabilidade de o CV ser lido com atenção.

Competências transferíveis numa mudança de carreira

Quando muda de área, as competências transferíveis são o seu principal argumento. São capacidades que desenvolveu num contexto e que servem noutro. Alguns exemplos:

  • De professor para formação ou recursos humanos: preparar e dar formação, avaliar desempenho, comunicar com públicos diferentes, gerir conflitos.
  • De restauração para vendas: atendimento sob pressão, venda sugestiva, gestão de reclamações, trabalho por objetivos.
  • De militar ou segurança para logística: planeamento, cumprimento rigoroso de procedimentos, coordenação de equipas, gestão de material.
  • De apoio ao cliente para análise de dados: relatórios de indicadores, identificação de padrões em reclamações, Excel.

Num CV de mudança de carreira, estas competências podem ganhar uma secção própria logo abaixo do perfil, no formato misto. Cada uma deve vir acompanhada de um exemplo concreto do emprego anterior.

Competências que os empregadores valorizam cada vez mais

Sem cair em modas, há competências que aparecem com frequência crescente nos anúncios de quase todas as áreas e que vale a pena referir se as tiver:

  • Competências digitais de base: trabalhar com folhas de cálculo, ferramentas de colaboração online, videoconferência e partilha de documentos na nuvem.
  • Análise de informação: ler indicadores, preparar um relatório simples, tirar conclusões a partir de números.
  • Autonomia em trabalho remoto ou híbrido: organizar o próprio trabalho e comunicar por escrito com clareza.
  • Línguas estrangeiras, sobretudo inglês, em empresas exportadoras, turismo e centros de serviços partilhados.
  • Adaptação a novos sistemas: ter aprendido um novo software ou processo num prazo curto é um argumento concreto.

Tal como nas restantes, estas competências ganham força quando aparecem ligadas a um exemplo na experiência. Uma linha como implementei a passagem do arquivo em papel para pastas partilhadas na nuvem diz mais do que boas competências digitais.

Onde colocar as competências no CV

Na maioria dos CV, a secção de competências fica depois da formação ou numa coluna lateral, ao lado da experiência. Em perfis técnicos (programação, engenharia, manutenção), pode subir para logo abaixo do perfil, porque é a primeira coisa que o recrutador procura. As duas ou três competências mais importantes para o anúncio devem também aparecer no perfil profissional.

Erros frequentes

  1. Listas genéricas copiadas de outros CV: trabalho em equipa, dinamismo, proatividade, sem nenhum contexto.
  2. Competências óbvias, como Word ou e-mail, para funções em que são pressupostas.
  3. Ferramentas desatualizadas que já não se usam na área.
  4. Exagerar o nível. A entrevista ou o período experimental vão mostrar a diferença.
  5. Competências sem relação com o lugar, que ocupam espaço sem acrescentar nada.

Para ver como as competências se distribuem num CV completo, consulte os exemplos de CV por profissão, e para o resto do documento siga o guia sobre como fazer um CV. Quando tiver a lista pronta, escolha um dos modelos de CV e verifique se as competências principais se veem nos primeiros segundos de leitura.


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